sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Propaganda entregue às moscas?

Desde que entrou nesta realidade paralela que é o fantástico mundo da comunicação e marketing, este tomatinho que aqui vos fala já viu de tudo nesta vida. Em quase 17 anos trabalhando neste mundinho já viu todo tipo de mídia, desde as mais tradicionais, como impressos em geral, passando por outras peças mais convencionais usadas nos meios eletrônicos, ou até coisas mais atuais como advergames bem legais. Também já conheceu coisa ditas como mais simples (eu diria até mais interioranas) a exemplo de locução em bicicleta, "murodoor", ou distribuição de panfletos mesmo em sinal.

Acho que mídia é sempre mídia e vale à pena, quase sempre. Dificilmente questiono a aplicação de uma ferramenta, na maioria das vezes coloco o dedo somente na junção de algumas delas em determinadas campanhas. Mas a verdade é que o corre-corre diário tem substituído cada vez mais os briefings longos e planejamentos mais detalhados por um estudo mínimo de cruzamento entre público X produto para, mesmo sem muito dinheiro, fazer coisas bem legais.

Vejam só isso:




Não estou aqui questionando a eficácia e coisa e tal deste tipo de "mídia" (se é que podemos chamar assim), mas que é inusitado lá isso é. Vamos combinar, né não? E você, o que acha?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

MelissaEU!

E eu também!! \o/

Exposição MelissaEU! comemora 30 anos da marca

Em comemoração aos 30 anos da marca, a Melissa abre amanhã, quarta-feira, dia 28 de outubro, no Solar Real, em Santa Teresa, a exposição “MelissaEU!”. Entre os 17 espaços temáticos, os visitantes terão a chance de conferir a trajetória da sandália e os modelos mais admirados do acervo.

Na “Sala das Campanhas”, quatro monitores vão exibir vídeos publicitários de diferentes épocas, apresentando ao público as campanhas que entraram para a história da Melissa.

A mostra tem direção de Erika Palomino, curadoria de Maria Montero, produção-executiva de Carol Frajdenrajch e direção de produção de Andrea Franco.

.................................................

Como é isso? Já que não poderei me deslocar até o Rio de Janeiro para ver a exposição, seria lindo obter um registro geral com as fotos dos espaços temáticos, historinhas dos modelos e comentários das campanhas todas.

Lembro claramente de uma coleção que tinha os modelos de tirinha, zigue-zague e furadinha. Nunca esqueci a música: a Melissa furadinha tin-tin-tin, a Melissa de tirinha tin-tin-tin... é zig-zag, zig-zag, zig-zag, todo mundo agora vai.

A minha era de tirinha, vermelha, transparente, que eu usava com meias de listras coloridas e fios brilhantes. Adoro!



No final do filme aí, o narrador diz que Melissa cria sonhos de plástico há 30 anos. Talvez os nossos sonhos sejam feitos de algo mais duradouro que o plástico. Mas que a Melissa tem um papel especial na trejetória de realização (ou não) deles, lá isso tem.

Existe toda uma geração que compra essa sandália mais motivada pela afetividade do que propriamente pelas modelagens. Um caso de amor das antigas.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Aleluia!


Três vivas para o meu querido (e odiado) banco, que finalmente entendeu o recado: telemarketing não precisa ser sinônimo de aporrinhação.

Antes
Atendente: Senhora, estou ligando para estar lhe oferecendo (sic) mais um cartão de crédito.
Eu: Não estou interessada, obrigada.
Atendente: Mas senhora, a senhora vai estar ganhando o benefício de blablablabla.
Eu: Não estou interessada, obrigada.
Atendente: Mas senhora, além deste benefício a senhora vai estar desfrutando da facilidade de blablablabla.
Eu: Não estou interessada, obrigada.
Atendente: Mas senhora, além da facilidade a senhora vai estar ostentando a possibilidade de blablablabla.
Eu: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!

Depois
Atendente: Senhora, estou ligando para estar lhe oferecendo (sic) mais um cartão de crédito.
Eu: Não estou interessada, obrigada.
Atendente: A senhora não deseja nem escutar o resto da proposta?
Eu, estupefata: Não, obrigada.
Atendente: Uma boa tarde então.

Fiquei passada - para o bem, claro! Não poderia ser uma notícia melhor para uma pessoa que, ainda esta semana, disse a uma atendente de operadora de telefonia que não indicaria a promoção deles "nem para o pior inimigo".

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Buscapé e a compra consciente

Já tem um tempo que venho observando com uma dose de ironia as empresas que andam pegando carona na moda da sustentabilidade, da responsabilidade social e da preocupação ambiental. Mais recentemente, quem entrou na onda foi o Buscapé, que lançou uma campanha e um novo slogan se auto-denominando consciente só porque é um mecanismo que mostra às pessoas onde comprar as coisas mais barato na internet.

Lá na Encruzilhada (bairro onde nasceu e se criou este tomatinho), eu sinto informar que responsabilidade sócio-econômica-política-ambiental só existe de fato quando é algo PARALELO ao core business da empresa. Ou seja, se eu ganho dinheiro explorando a tal compra consciente, isso não faz de mim a mais responsável das pessoas! Só diz, em tese, que eu soube aproveitar uma boa oportunidade. Agora, se eles criassem uma escola para educação de jovens e adultos em comunidades de risco lá em Timbuktu... aí sim a coisa mudaria de figura.

O que vocês, incautos leitores, acham?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Os truques de Oliver


De garotão cabeludo...

James Trevor Oliver é um cara que entende do riscado.

Disléxico, agitado e cheio de energia, com 16 anos entrou na prestigiada escola de culinária de Westminster e desde então engrenou na carreira de chef.

Foi descoberto por uma produtora de TV em 96, enquanto era assistente em um restaurante. Seu jeito de moleque descolado lhe rendeu duas temporadas apresentando o The Naked Chef, programa de TV que foi ao ar em 98 e 99.

Mesmo sem formação acadêmica, Oliver é um cara que saca de marketing. Ou é, no mínimo, esplendidamente assessorado.

Percebeu que, enquanto colecionava primaveras e constituía sua própria família (ele é pai de Poppy Honey Rosie, Daisy Boo Pamela e Petal Blossom Rainbow, vejam só que fofo), sua audiência também amadurecia. E começou a alterar gradualmente o estilo de seus programas.

Veio então Oliver's Twist, dedicado ao público jovem que mora sozinho, e Jamie's School Dinners, no qual realizou uma campanha em prol da melhora do cardápio oferecido nas escolas britânicas, basicamente constituído de fast food.

De guri descolado para guru de jovens adultos, e daí para figura consciente da alimentação da próxima geração. O que faltava então?

... a paladino (e galã) da alimentação natural.

Foi aí que veio meu programa favorito: Jamie at Home, baseado na premissa de que é possível cozinhar delícias saudáveis e orgânicas a partir de ingredientes cultivados e colhidos de seu próprio quintal. A evolução estava completa, certo?

Errado. O caboclo ainda anda se aventurando em projetos sociais com o objetivo de transformar jovens de áreas carentes de diversos países do mundo em chefs renomados.

Neste momento (literalmente, já que ele próprio postou a informação no Twitter há alguns minutos), Jamie está lançando uma aplicação para iPhone na qual guia cozinheiros de fim-de-semana (como este tomatinho que vos fala) por receitas de no máximo 20 minutos.

O que vocês acham: ele entende ou não de marketing?

Interessou? Então vá lá e conheça mais sobre o chef da unha mais suja da televisão: https://www.jamieoliver.com/

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A fonte da juventude do consumo

Lendo Max Weber e pensando em outras coisas, achei interessante trazê-lo para incrementar esse molho por aqui. Até porque, pelas vias normais, consumo deveria depender de numerário que deveria decorrer do trabalho e por aí vai.

Na publicação A ética protestante e o espírito do capitalismo, escrita por Weber entre 1904 e 1905, duas passagens sobre trabalho são bem curiosas:

“(...) um homem que ganha 1 marco por acre ceifado, ceifa 2 e ½ acres por dia e ganha dois marcos e meio por dia; quando o valor da tarefa foi aumentado para 1,25 marcos por acre ceifado, não ceifou 3 acres, como poderia ser feito facilmente, ganhando 3,75 marcos, mas ceifou apenas 2 acres de modo a continuar ganhando os 2,5 marcos a que estava acostumado. A oportunidade de ganhar mais foi menos atraente do que trabalhar menos. Ele não se perguntava: quanto poderia ganhar em um dia se eu fizesse o maior trabalho possível? Em vez disso perguntava-se: quanto devo trabalhar para ganhar o salário de 2,5 marcos que eu ganhava antes e que bastava para as minhas necessidades tradicionais?

(...) o homem não deseja ‘naturalmente’ ganhar mais e mais dinheiro, mas viver simplesmente como foi acostumado a viver e ganhar o necessário para isso. Onde quer que o capitalismo moderno tenha começado, sua ação de aumentar a produtividade do trabalho humano aumentando sua intensidade, tem encontrado a teimosíssima resistência desse traço orientador do trabalho pré-capitalista. E ainda hoje a encontra, por mais atrasadas que sejam as forças de trabalho (do ponto de vista capitalista) com que tenha de lidar.”


E olhe que aí ele só considerava o continente europeu. Longe, bem longe da indolência dos trópicos.

Enfim, vamos dizer que sim o trabalhador deseja basicamente manter aquela vidinha que sempre teve, sem maiores ambições. E também discordar: o estímulo da publicidade faz nascer no imaginário desse mesmo trabalhador a necessidade de possuir uma Nissan Frontier.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O case Calamares: vinho verde que vem com branding!


Olhe para este rótulo e feche os olhos. Que imagens vêm a sua mente?

Já há alguns meses, todas as vezes que adentro qualquer supermercado/atacado/distribuidora de bebidas a curiosidade enológica me impele em direção à estante de vinhos verdes - com tanta força quanto meu sobrinho de sete anos costuma me arrastar para a seção dos Power Rangers nas lojas de brinquedo.

Enquanto meu lado racional - leia-se a carteira - segue adiando o sonho de experimentar tal iguaria, a inteligência (?) emocional vem me proporcionando momentos de reflexão altamente produtiva a respeito do vinho verde mais encontrado aqui em Recife: o Calamares.

Na minha cabeça, o rótulo já diz tudo: tem uns polvos (ou seriam lulas?), ladeando um belo lagostim - que em terras pernambucanas pode ser chamado de pituzão de classe. O nome e a descrição - Vinho Verde, dã! -, e só. O resto da magia fica por conta da garrafa de formato diferenciado, meio bola, meio elipse, mostrando o vinho em todo o seu esplendor e transparência.

O que você imaginaria que uma bebida assim iria te proporcionar? Frescor? elegância? uma tarde ensolarada de setembro a bordo de um iate nas Ilhas Gregas? Eu penso em tudo isso quando vejo uma garrafa de Calamares. E olhe lá - leve em consideração que a pessoa que vos escreve nunca bebeu vinho verde (e muito menos conhece as Ilhas Gregas).

Resumindo, um trabalho de branding danado de bom.

Parada para a cultura: o que é branding mesmo?

"Branding é um trabalho de construção de uma marca junto ao mercado. Cria-se uma imagem que possa ser reconhecida por todo o mercado de forma que o produto que seja rotulado por aquela marca transmita confiança ao consumidor, fazendo-o preferir o produto de “marca” do que outro produto idêntico sem marca (PICCAGLIA Eliel, 2008)."
Fonte: Wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Branding)

Sacou?

Voltemos agora a nossas elucubrações.

Assim como no turismo, no cinema e na literatura, branding também é fundamental no mundo dos vinhos. Uma marca bem arrumada, elementos escolhidos a dedo no rótulo e até uma garrafa específica fazem milagres quando se trata de chamar a atenção em meio a dezenas de concorrentes na prateleira - alguns deles naqueles garrafões pavorosos cobertos por um trançado fake de plástico imitando palha.

Faça uma pesquisa em seu HD mental e coloque no papel: quantos vinhos já não lhe conquistaram antes mesmo do primeiro gole, só por causa da imagem? É por não serem ingênuos que produtores como a Salton e a Miolo (só pra citar nacionais) investem tanto na construção do branding de seus produtos. Um bom exemplo é o Miolo Gamay 2008, que muita gente andou comentando que nem era tão bom, mas bombou em vendas por causa do rótulo fofíssimo desenhado pelo Romero Britto.

Tudo bem que não sou exemplo para nada, mas agora não posso ver a foto de um lagostim que já lembro do tal vinho verde. E das Ilhas Gregas.

O que me faz lembrar... o feriadão de 12 de outubro vem aí. E é bem possível que eu finalmente resolva experimentar uma garrafa de Calamares.

P.S: Como deu pra perceber, este tomatinho gosta de vinhos. Se o assunto interessa, talvez você se empolgue em conhecer o Enoblogs, portal que reúne uma série de publicações online especializadas no mundo de Baco. O blog do tomatinho-ketchup também está lá.