Lendo Max Weber e pensando em outras coisas, achei interessante trazê-lo para incrementar esse molho por aqui. Até porque, pelas vias normais, consumo deveria depender de numerário que deveria decorrer do trabalho e por aí vai.
Na publicação A ética protestante e o espírito do capitalismo, escrita por Weber entre 1904 e 1905, duas passagens sobre trabalho são bem curiosas:
“(...) um homem que ganha 1 marco por acre ceifado, ceifa 2 e ½ acres por dia e ganha dois marcos e meio por dia; quando o valor da tarefa foi aumentado para 1,25 marcos por acre ceifado, não ceifou 3 acres, como poderia ser feito facilmente, ganhando 3,75 marcos, mas ceifou apenas 2 acres de modo a continuar ganhando os 2,5 marcos a que estava acostumado. A oportunidade de ganhar mais foi menos atraente do que trabalhar menos. Ele não se perguntava: quanto poderia ganhar em um dia se eu fizesse o maior trabalho possível? Em vez disso perguntava-se: quanto devo trabalhar para ganhar o salário de 2,5 marcos que eu ganhava antes e que bastava para as minhas necessidades tradicionais?
(...) o homem não deseja ‘naturalmente’ ganhar mais e mais dinheiro, mas viver simplesmente como foi acostumado a viver e ganhar o necessário para isso. Onde quer que o capitalismo moderno tenha começado, sua ação de aumentar a produtividade do trabalho humano aumentando sua intensidade, tem encontrado a teimosíssima resistência desse traço orientador do trabalho pré-capitalista. E ainda hoje a encontra, por mais atrasadas que sejam as forças de trabalho (do ponto de vista capitalista) com que tenha de lidar.”
E olhe que aí ele só considerava o continente europeu. Longe, bem longe da indolência dos trópicos.
Enfim, vamos dizer que sim o trabalhador deseja basicamente manter aquela vidinha que sempre teve, sem maiores ambições. E também discordar: o estímulo da publicidade faz nascer no imaginário desse mesmo trabalhador a necessidade de possuir uma Nissan Frontier.
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