terça-feira, 6 de outubro de 2009

Quanto vale uma BIC?


Sempre tem uma pendurada na ponta de um cordão daqueles balcões velhos do centro da cidade. Uma amiga, por exemplo, tem o costume de usa-las até o final da carga. Diz que ela rende que é uma beleza. Outra colega carrega um exemplar da sorte na bolsa, conta que ganhou de uma professora do primário. Já eu, por exemplo, odeio o tal objeto. Acho que tem uma escrita grosseira e sem nenhum estilo, percebem? Seja em que lado estiverem, a verdade é que o tal objeto é sempre bastante comentado. É tipo assim AME ou ODEIE, sabem como é?

Para quem não sabe eu estou falando das nossas "velhas e boas" Canetas BIC. No mercado desde 1950, custam pouco mais de um real e fazem definitivamente a alegria da moçada e disso eu não tenho dúvidas. Mesmo sem gostar das qualidades do tal objeto, a verdade é que esta pequena notável da escrita sempre me encantou. Do ponto de vista de marketing, pensem em um recall bom da gota. Já vi gente chamando caneta
de BIC. Tipo assim quem chama sabão em pó de Omo e absorvente de Modess. Há quem pense assim. E quem mais ama isso sou eu. Faz recordar qual é definitivamente o sentido de existir as nossas próprias pessoas (os profissionais de comunicação e marketing, uiaaaa). A gente só existe para criar coisa no imaginário popular. Criar, recriar, divulgar, vender.. sei lá.

Tudo isso me veio hoje a cabeça lendo uma notícia sobre uma edição de luxo da BIC. A esferográfica "recebeu" uma releitura de design e agora aparece em três versões ouro, prata e bronze, com preços que variam entre R$ 290 e R$ 411. Eu sinceramente achei lindinha, mas fiquei matutando cá com os meus botões sobre aquele ponto que sempre falamos no marketing OBJETO DE DESEJO. O que faz alguém comprar uma canetinha BIC por 411 reais? Vai lá, tudo bem é banhada a ouro, feita artesanalmente e numerada para garantir a exclusividade do negócio. O que, na cabeça desta jornalista mão fechada que aqui vos fala, não justifica em nada tal despesa. Penso assim: por que não comprar um brinco, uma pulseira de ouro, sei lá... quatrocentos reais em uma canetinha. Fala sério???

Mas aí lembrei que todo consumo é feito de maneira simbólica mesmo. É cultura pura. Não adquirimos um objeto, mas tudo que vem com ele. É tipo assim, compro uma BIC pelos valores sentimentais que ela me representa e carrega. Básico, não? É como dizia o mestre BAUDRILLARD a escolha do objeto vem da escolha por um símbolo, ou seja, vem da importância de saber quais são os valores que os objetos trazem quando
vividos ou mesmo vivenciados na vida e convívio cotidiano. Ah, então deve ser isso. Eu compro uma BIC de ouro por saber que ela vai me oferecer status por ter uma peça de OURO, exclusiva, feita só para mim...

Então é isso: eu compro o PRAZER que sinto quando comunico para alguém que tenho uma BIC de ouro. Não é o valor, mas o desejo em mostrar para outros. Tipo compartilhar que tenho uma calça Diesel, um Honda Civic.. ou sei lá mais o que... Então a BIC de ouro, prata ou bronze vale mesmo o gostinho gostoso do olho comprido de inveja do meu vizinho ;-)

2 comentários:

  1. Então, se entendi bem, é como se eu pudesse comprar um notebook da CCE ou da Sony e preferisse este último por que ter um Sony Vaio me faria sentir mais satisfação por saber que tenho e estou usando um Sony Vaio?!

    Parabéns pelo blog: bem legal :-)

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  2. Beeta, adorei o blog! Muuuito legal o que esses três tomatinhos têm pra dizer! E o post.. Fantástico! Mas eu prefiro a Bic tradicional mesmo, aquela azulzinha, que eu pago um real e saio mais que satisfeita! =]
    bjãão, Candinha.

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